quinta-feira, 10 de maio de 2007

"I don't wanna change your mind"

Aquele momento que tudo deveria parar.


A marcha, necessária (?), retarda.


A maravilha de dois fones que lhe fecham o mundo num pseudo-silêncio. A cor cinzenta do céu. A maravilha de uma frente fria vinda de não sei onde, indo para não se sabe onde. Aquela não-vontade; apenas estar-ficar. O ritmo. A brisa semi-gélida, o casaco que tenta barrá-la; a pele – Ah, a pele! Os passos que se seguem sem querer seguir. Sentar, ali – tão ali –, durante a eternidade e pronto. E fim.


“I don't wanna change the world.”

A mão que sobe ao cabelo, (des)enrolar idéias... Mas quais...? Quais idéias?...


O não-pensar. Apenas sentir, ouvir, ver.


Consumindo, digerindo, jiboiando, vegetando o instante.


Quando, em que, onde, o qual, cujo, que... O mundo alheio a mim; e a recíproca, mais que verdadeira. Nada importa... Ou quase importa. Ou importa. (De mim)


Aquela sensação de suspiro derretendo na boca. Fugaz.


"Under control"

sábado, 5 de maio de 2007

Vestibu-blá

e provas...

"Nada nessa vida vale nosso desespero."

domingo, 15 de abril de 2007

Domingo

C.....G.....F..........F.C.............PRATOS.................COPOS
O.....A....A...........A.O
L.....R.....C..........C.L
H.....F....A...........A.H
E.....O....S...........S.E
R.....S.................G.R
E........................R.E
S........................A.S
colheres de............N.D
sobremesa.............D.E
..........................E.P
..........................S.A
............................U
Cortador de queijo, pegador de macarrão,
faca pequena, ...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Teoria do Módulo e Soma

A Teoria do Módulo e Soma consiste numa técnica de grande eficácia utilizada para quando não se sabe ou não se é possível realizar determinadas questões. Notadamente, ela aplica-se mais àquelas questões que envolvem cálculos; entretanto pode ser muito bem utilizada, indistintamente, em quaisquer tipos.

Passos:
  1. Analisar minuciosamente as questões e as alternativas;
  2. Re-analisar minuciosamente as questões e as alternativas;
  3. Eliminar aquelas visivelmente erradas (passo não fundamental);
  4. Tentar resolver a questão - importante guardar os valores achados (passo não fundamental também);
  5. Colocar os valores fornecidos no enunciado ou aqueles achados com o início da resolução da questão (passo 4) em Módulo (retirar tanto sinal e, a depender, também o expoente);
  6. Somá-los;
  7. Se o valor encontrado "coincidir" com algumas das alternativas, marcá-la e dar por encerrada tal questão. Caso o valor não seja igual, vide passo 8;
  8. Armado da Criatividade e da Imaginação (importante pesquisar também sobre a Teoria de Conspiração, que pode ser bastante útil neste passo) tentar estabelecer alguma relação entre o valor encontrado e aqueles apresentados nas alternativas ou a alternativa em si. Exemplo 1: valor encontrado = 28; alternativa B = 10. 2 + 8 = 10. Logo, resposta: letra B. Exemplo 2: valor encontrado = 5; letra E é a quinta letra do alfabeto. Logo, resposta: letra E.

Obs1.: Tal Teoria já foi devidamente provada e corroborada. Há testemunhos de pessoas que a utilizaram e acertaram a questão.

Obs2.: No caso de questões "não-exatas", deve-se seguir os passos 1, 2 e 3 e tentar estabelecer co-relações entre os dados e as alternativas (como o passo 8)... Uma sugestão seria a quantidade de letras e/ou palavras no enunciado e nas questões. Outra seria ainda substituir as letras das respostas por números (os da posição ocupada por essas no alfabeto) e somá-las... Dependendo do número, a resposta estará correta (alguns números a se destacar: 23, 32, 33).

domingo, 18 de março de 2007

Fim de Semana

Mais uma vez o blog está abandonado e eu sempre com pena dele.

Não sei ao certo o que dizer e como dizer, mas... O fim de semana foi interessante. Não digo interessante de diversões; foi interessante, diferente, não sei. Estranho, talvez.

Começa na noite de sábado. Sem Internet, acabei ficando pela televisão. A Internet voltou e eu já estava indo para o computador para ver o gabarito da prova de literatura publicado no Orkut, quando no SBT começou Cine Belas Artes.

Acabei ficando no sofá para ver pelo menos que filme era: A Outra História Americana. Parecia ser bom. Resolvi assistir. E, realmente, era (é) um filme “muito, muito (duas vezes muito)” bom.

Em poucas palavras: o filme conta a história de dois irmãos envolvidos com skinheads e a causa nazista estadunidense (confesso: estava o “americana” aí). O mais velho (Derek), um herói do grupo de skinheads, é preso por matar dois negros. O mais novo (Daniel) tenta seguir os passos do irmão, sob as tentativas do diretor de seu colégio para abrir lhe os olhos. 3 anos na prisão e mais alguns outros acontecimentos fazem Dereck reavaliar sua conduta. Ao ser libertado, ele tentará impedir que o irmão seja o novo líder do grupo nazista.

O filme me fez pensar em diversas coisas. Nazismo. Racismo. Pobreza. Brasil. Favelas. Educação.

Então, recomendo (uma ressalva: cenas muito fortes).

Hoje (domingo), botei o celular para despertar às 9:30... Mas, para variar um pouco, só vim acordar uma hora depois. À tarde, joguei buraco... E perdi.

Mais tarde, fui ao shopping com meu pai – típico passeio de domingo. Já estava imaginando ter que assistir O Motoqueiro Fantasma porque ele queria assisti-lo. E eu nem um pouco a fim. Então, incomumente, assistimos filmes diferentes: ele O Motoqueiro, eu Scoop.

Outro filme muito, muito, muito (três vezes muito =P) bom! Vá lá, não sou bom para analisar direção, atuação, roteiro... Mas eu gostei. Dei altas risadas. Altas mesmo. O bom é que eu assisti sozinho e não havia ninguém para reclamar.

O filme é de Woody Allen. Acho que é o primeiro filme dele que eu assisto (me excomunguem!). Como a preguiça é grande, uma sinopse do filme que eu encontrei na Internet:

“Sondra Pransky (Scarlett Johansson) é uma estudante de jornalismo que está visitando alguns amigos em Londres. Ela vai ao show de mágica de Sidney Waterman (Woody Allen), que a chama ao palco para fazer o truque de desmaterialização. Sondra entra em uma caixa mas, enquanto o truque acontece, surge para ela o espírito do repórter Joe Strombel (Ian McShane), morto recentemente, que lhe oferece um grande furo: a identidade do assassino do tarô. Ele diz a Sondra que o assassino é Peter Lyman (Hugh Jackman), um aristocrata inglês. Sondra e Sid decidem investigar Lyman, mas ela acaba se apaixonando por ele.” (
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/scoop/scoop.asp)

Não precisa nem dizer que eu recomendo. (E quem assistir vai entender o “muito, muito, duas vezes muito”)

Como o meu filme acabou primeiro que o do meu pai, eu tinha uma hora para ficar vagando sozinho pelo Iguatemi. E isso que deixou o fim de semana mais interessante.

Sozinho: vagando pelo Iguatemi e pelos meus pensamentos (eu, hein: eu digitei “pacientes” no lugar de “pensamentos”).

Andei pelo corredor chic, que me deixou bastante depressivo. Tantas roupas bonitas e tentadoras. Tantos preços feios! Inacessíveis para o pobre estudante da classe média média (duplo média, mesmo).

Pensei em um conto para escrever enquanto eu passava por não-sei-onde. Outro conto pensado e não escrito. Como o da mulher que olha o relógio às 6 horas, o da outra que chora no banho, o do homem que fuma...

Comi a McOferta número 8. Fiquei viajando também, enquanto comia.

Depois fui para a Siciliano. Passeei por Garder, Ramos, de Barros, Dostoievski. Pela Menina Que Rouba Livros. Por Neve.

Bem, depois voltei para casa. Reparei que não estudei nada no fim de semana. E agora estou publicando esta postagem horrível.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-feira de cinzas

Meu pobre blog. Abandonado pelo dono.

Amanhã, retornam as aulas (infelizmente). Carnaval foi bom.



Hoje, quarta-feira de cinzas, as nuvens resolveram dar um espetáculo. Umas 18 horas. O sol estava quase sumindo. Da minha casa no primeiro andar do pequeno prédio, nem se enxergava mais seus raios amarelos.

O céu, choroso, conservara durante todo o dia algumas nuvens. As nuvens da chuva do carnaval. Densas e frágeis. Dignas dum quadro ou de um poema melancólico, de um artista melancólico.

Às 18 horas, entretanto, elas enfeitaram-se, vestiram-se, armaram-se do mais lindo rosa. Do mais brilhante rosa. Do mais vigoroso rosa.

Não se engane achando que eram elas os paetês ou as plumas do céu. O céu era apenas (!) o seu palco. Deixaram de ser coadjuvantes. Eram intensas, vívidas, fortes. A luz parecia emanar delas, provocando as mais diversas sensações em quem as observasse...

Mas, alguém as observava? Alguém dedicava um pequeno instante para olhá-las? Aliás: para olhá-las e vê-las? Ver sua exuberância eloqüente. Ver sua majestade divinal. Sua intensidade.

Não. Ninguém dedicava um mísero minuto para se embasbacar com a beleza daquelas nuvens. Ah, esse alheamento das sensações oferecidas pela vida!

Assim. Sem platéia. Desprezadas, ignoradas. Vagarosamente, elas foram perdendo seu brilho, sua cor.

Do rosa pulsante, veio um rosa cansado e modorrento...

E, mais veloz que o desabrochar e o adormecer duma flor, a nuvem foi invadida pela total languidez de um cinza mórbido.


- Ah se eu tivesse uma boa câmera digital. ¬¬

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Trem das onze

Trem das onze
(Adoniran Barbosa)
Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor,
mas não pode ser
moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã
E além disso mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Sou filho único, tenho minha casa pra olhar
Não posso ficar, não posso ficar...

Criei o blog, mas ele está meio abandonado. As idéias que eu tivera para postagens acabaram sumindo.

Ontem, lembrei-me dessa música que ouvi no rádio há algum tempo, cantada por Martinho da Vila - se eu não me engano -, e resolvi publicá-la aqui.

Ao ouvi-la, imediatamente, construiu-se em minha cabeça a situação passada pelo eu-lírico da música:


Num subúrbio escuro de uma cidade grande – São Paulo, talvez. Numa rua mal iluminada. (Um único poste tentando vencer a escuridão com sua luz alaranjada.) Alguns barracos e semi-casas desenhando um vulto titubeante no breu da noite. Algumas estrelas no céu. Algumas nuvens avermelhadas. Nenhuma lua.

O casal se olha, se beija. Negros, menos de 30. Ele dá um passo para trás. Ela segura sua mão, firme. Ele a encara, tanto triste. Ela solta sua mão, que cai ao longo de seu corpo. Ela abaixa um pouco a cabeça. Ele lhe dá outro beijo. Abraçam-se.

Separam-se. Outro beijo. Ele vai descendo. Ela entra em sua casa (uma daquelas semi-casas). Ambos param; ele no meio da rua, ela na porta. Voltam-se um para o outro, e encaram-se durante certo tempo. Ele continua descendo. Ela espera-o sumir de vista e entra em casa.

Escuta-se o barulho de um trem que se aproxima. Quase onze.

Muito longe dali, também num subúrbio escuro. Com barracos e semi-casas, também. Sob o mesmo céu de algumas estrelas e de algumas nuvens avermelhadas. Sob o mesmo céu sem nenhuma lua. Numa casa (semi-casa, também) de luz acesa, uma senhora, negra, espera, ansiosa, na janela.

Dentro de casa, espia o relógio. Preocupa-se. Olha para o céu. Lembra-se de Deus e da Imaculada Mãe. Volta à janela, onde pára. Até que, quase doze, pode, finalmente, aliviar-se. Dormirá tranqüila.